terça-feira, 11 de outubro de 2011

Letters From Underground: Letter two.

                         “Come with me”
“Cara... é irado!”. É muito estranho gostar tanto da sua voz, suas gírias e seu sorriso sem poder aproveitá-los para me sentir melhor. Não que seja inalcançável para mim, mas há algo que me faz travar. Queria poder livrar-me disso para finalmente voltar a fazer as coisas que eu fazia antes, quando eu achava que era mais feliz.
                Não queria admitir, mas eu preciso dele, mais do que eu posso imaginar. Eu gosto dele mais do que posso imaginar. Eu o quero mais do que posso imaginar. Talvez mais do que eu possa sentir... Acho que a escala já chegou a 10... E quanto a você? Lembra-se do que me disse, não é? Então porque ainda hesita quando te chamo? Porque não me olha mais como antes? Eu estava certa ao subestimar o que você sente? Talvez sim... Ou não...
                Se não fosse essa coisa chata que me trava, eu seria capaz de dizer “olhe nos meus olhos, por favor, olhe para mim agora” e mais tudo que eu quero. Tudo que eu quero... É bastante coisa e talvez você não entenda, até porque nem eu estou me entendendo. O que será essa coisa que me trava? Será medo? E se for, medo de quê? De ser rejeitada mais uma vez? Acho que sim... Ou não...
                Mas é muito bom se sentir leve, feliz e distraída. Muito bom. É claro que eu sei como é sentir tudo isso que você descreve.
                “Fazer loucuras”, “seja o que Deus quiser”, “se não der certo, você não vai se arrepender de ter tentado”. Essas frases me deixam inspiradas e me fazem pensar na minha atual situação.
                Eu estou feliz com minhas decisões, eu sou feliz. Tenho pessoas que me fazem acreditar nisso, que me fazem sorrir todos os dias, que me fazem chorar de alegria. A loucura e o inesperado são coisas que eu não quero que saia da minha vida nunca e que você(s) me ajude(m) a continuar assim... Acreditando em mim mesma.  

                                                                                                                                    Candy Poison. 

sábado, 16 de julho de 2011

Capítulo dois.

                                     §§§

A festa começou e não foi diferente do que eu pensei. O pessoal me adorando e amolando. Que saco. Havia algumas pessoas que eu não conhecia, mas iria conhecer.
– Saudações. Você deve ser o Benjamin, certo? – disse um homem grisalho de olhos verdes, devia ser meu tio.
– Sim. Sou eu e você é...? – trocamos apertos de mãos enquanto eu atuei em estar interessado em saber seu nome.
– Sou seu tio, irmão de eu pai. Sou Apolo. – ele sorriu e atrás dele veio uma senhora com mais ou menos sua idade. Mas isso não importa.
– Olá, querido Ben! – disse ela, alegremente.
– Olá, querida...
– Dafne! – ela disse.
   Eu não sabia quem ela era e sua aparência me assustava. Parecia uma cigana. Tive até medo de apertar sua mão, mas a estendi mesmo assim. No instante em que nossas mãos se tocaram ela puxou a sua rapidamente com um olhar assustado. Quem devia estar assustado era eu, com aquela doida sendo minha “tia”.
– Algo errado? – eu disse depois de uns segundos de silêncio, sorrindo pra ela.
– N-nada... – ela gaguejou, olhando o nada com preocupação. – eu... Vou procurar a sua mãe.
 Ela sorriu falsamente e saiu antes que pudéssemos intervir de alguma forma e interrogá-la.
– Ela é sempre assim? – perguntei para meu tio que acabei de conhecer.
– Às vezes... – ele respondeu abrindo um pouco os olhos verdes-água.
 
  Depois de conhecer mais muitos parentes que eu nem fazia ideia de que existiam, chegou a hora do almoço. Até que enfim, já estava enjoado de tanto perfume francês que minhas tias, primas, etc. usavam. 
  Os empregados estavam nos servindo quando algo nos surpreendeu.
– Ahhhhhh!! – gritou Alice, minha prima de nove anos.
– O que houve? – todos se entreolhavam.
– T-tem um bicho no meu prato! – gritou novamente e todos cochicharam.
– Não. Não, filha. Isso é a comida. – disse sua mãe, muito envergonhada, mas calma, tentando amenizar a situação. Não funcionou. Que pirralha desprezível. Peguei meu prato e fui comer no meu quarto, assistindo a minha gigante TV 3D.
 Quando terminei, continuei do jeito que estava e alguém bateu na porta.
– Tsc. Quem é?? – eu gritei impaciente.
– É a Dafne, amor. Posso entrar? – disse aquela mulher, com ternura. Desejei que ela virasse uma árvore.
– Tá aberto. – falei me perguntando o que ela queria.
 Ela entrou e se sentou na minha cama.
– Ben... Eu quero lhe fazer umas perguntas...
– Agora não, outro dia... – fiz careta para as roupas dela.
– Vai ser rápido – ela sorriu; eu revirei os olhos e não respondi.
– Então... Tem algo lhe incomodando?
– Só a sua presença aqui. – eu cuspi as palavras olhando para a televisão.
– Que ótima resposta. – ela riu e isso me irritou. O que ela realmente queria?
– Olha... Eu não estou muito... – tentei expulsá-la educadamente, mas ela me interrompeu.
– O que você pensa sobre o respeito?
– Eu acho que se deve respeitar pessoas mais poderosas que você. Eu sou mais poderoso que você, então me obedeça, ninfa. – me levantei sorrindo da minha piada tola, fui até aporta e a abri. – Saia. Tema o que eu poderei fazer se não respeitar o meu espaço.
  Ela saiu de cabeça erguida, sorridente e parou do lado de fora da porta, me olhando maliciosamente.
– Eu posso até temer... – ela começou, mas eu a interrompi.
– Foi o que pensei – e bati a porta, mas ela continuou a falar.
– Mas o que eu posso fazer é muito mais digno de se temer... – eu bocejei alto e me joguei na cama com a roupa que usava, deixando tudo do jeito que estava e acabei dormindo por causa do cansaço causado pelo estresse.
  Acordei novamente e já era quase hora de me arrumar para encontrar-me com Stella. Estava  quase na hora porque eu ainda não havia planejado o que iríamos fazer. Então, meu sistema me fez acordar um pouco mais cedo para eu não ter problemas mais tarde. Eu sou mesmo perfeito...   
                                         

                                                                  ♥♥♥
  Decidimos jantar fora. Raramente fazíamos isso, mas quando meu pai decidia sempre saímos para lugares caros. Não havia necessidade.
– Qual vai ser o nosso alvo? – eu disse sorridente a meu pai.
– Vamos jantar naquele restaurante chique do centro da cidade. – ele disse fazendo suspense em relação ao nome. Estreitei os olhos.
– Que horas? – perguntei ansiosa.
– Às sete. – respondeu preocupado em quanto tempo levaríamos para nos arrumar. A casa pequena, só tinha um banheiro. Mas não precisava se preocupar com isso, porque além de ser super cedo, com certeza chegaríamos antes da hora marcada.
 Ele se levantou da poltrona e suspirei de alegria. Momentos como aquele com a família, mereciam até comemoração. Estava no meio de um momento de alegria quando meu telefone tocou. Era Eva.
– Oi, Eva. – eu disse sem ter a menor ideia de por que ela me ligaria.
– Você não vai acreditar no que eu descobri! – disse ela aos prantos e eu fiquei preocupada.
– Acalme-se! O que houve?
– O Ben vai sair com a Stella!! – ela chorou e eu realmente não acreditei... Como ela podia se importar tanto com esse imbecil?
– Como você pode ligar tanto pra esse imbecil?!? – eu quase gritei, indignada.
– Eu... Não sei... Só gosto muito dele!
– Eva... – eu tentei – desculpe-me, mas eu não posso ficar ouvindo isso. Se acalme e pense no valor que você está dando a esse... Alô? – ela desligou na minha cara. Tsc. Como ela era teimosa. Liguei para ela.
                  
                   
                                                                   §§§
 Estava tudo certo, eu tinha tudo planejado, eu estava perfeitamente arrumado e bonito – como sempre – e bem atrasado. Saí do carro e fui rapidamente até a porta dela querendo terminar logo com o jantar e ir para cama... Talvez com ela.
 Toquei a campainha, não precisei nem esperar nem três segundos que ela abriu a porta mais alegre que nunca e saiu dando um rápido – supersônico – “tchau” aos pais. Ela estava sorrindo nervosamente.  
– Pensei que você não viria, marcamos as seis. – ela enfatizou a última palavra.
– Desculpe, baby. Eu tive uns problemas, mas nada me impediu de vir, não é? – olhei-a nos olhos e ela suspirou.
 Eu a levei ao carro e abri a porta para ela. Entramos.
– E ainda é cedo. Ainda são seis e meia. Que horas você deve voltar?
– Não tenho hora. – ela me olhou de cima a baixo levantando uma sobrancelha, então sorri.
 O resto do caminho, fomos em silêncio. Chegamos e ela fez um escândalo.
– AIMEUDEUS! Estamos no Pablo's house!
– É... – eu disse envergonhado, a conduzi rapidamente para dentro, sentamos na melhor mesa e pedimos o melhor prato.
 Ela estava olhando maravilhada às coisas da mesa e quando ela olhou pra mim, tentei sorrir. Como ela era matuta!
– Ben... Seu olho está vermelho. – ela disse olhando atentamente para meus olhos. Entrei em pânico.
– Eu tenho um colírio se você quiser... – ela o pegou e estendeu gentilmente. Sem nada dizer, arranquei-o de sua mão e fui desesperado ao banheiro. Coloquei o colírio e aos poucos o olho foi ficando normal. Quando ficou perfeito novamente, saí do banheiro e alguém me atropelou. Porque todo mundo esbarra em mim? Decidir deixar essa passar.
– Des... – ela não conseguiu completar, se perdeu em meus olhos.
– Tudo bem... – eu disse e voltei ao meu lugar, enquanto ela continuou paralisada lá.
  Sentei-me e aquela garota foi correndo a uma mesa. Correr desse jeito em um restaurante como esse? Quando me dei conta, ela estava sentada com a garota das covinhas. Qual era o nome dela mesmo? O que ela estava fazendo lá?? Ela não era pobre? Para interromper meus pensamentos, o garçom chegou com nosso pedido. Depois eu iria descobrir o que estava acontecendo, mas na minha noite nada iria me deixar incomodado. Comemos, conversamos, nos divertimos e saímos. A próxima parada seria super clichê, mas eu não estava ligando. Dirigi o carro para o alto de um morro onde veríamos as luzes da cidade, as estrelas e a lua. Quando chegamos, parei o carro e passamos para os bancos de trás. O teto do carro estava aberto e o céu estava cheio de estrelas que brilhavam intensamente com a lua cheia. Exatamente do jeito que eu queria.
– Então, o que achou do restaurante? – perguntei.
– A comida era muito boa e o ambiente também. Eu sempre quis ir lá. – ela me olhou e sorriu, estávamos lado a lado. Pus meu braço em volta de seus ombros.
– De nada – eu disse e rimos.                      
  Estávamos rindo e olhando o céu quando uma estrela cadente passou.
– Oh! – olhei para ela surpreso e ela estava de olhos fechados.
– Você pediu? – eu perguntei
– Sim – ela sorriu, abriu os olhos e olhou para mim.
– O que?
– Pedi que você me beijasse... – ela estava rindo maliciosamente com o que tinha acabado de dizer e eu fiquei surpreso com o mesmo.
– E você? – ela perguntou.
– Tudo o que eu quero já está aqui. – eu disse e a beijei. Não foi um beijo intenso ou apaixonado, mas eu não ligo. Eu estava empolgado e não consegui me conter, apertei seus seios e ela gemeu alto. Ajudei a tirar a camisa e a sentei de frente para mim em meu colo. Abri meu zíper e abaixei um pouco a calça e a cueca, meu amiguinho também estava empolgado. Quando levantei sua saia e tentei tirar sua calcinha, ela me impediu.
– Não! – ela arfou e sua mão estava detendo a minha. Revirei os olhos com ódio e quase gritei, ofegante.
– O que foi?!
– Eu... Eu... – ela tentou achar uma desculpa. – eu sou virgem.
– Virgem? – eu disse surpreso com a péssima desculpa.
– É. – ela disse pensando que eu tinha acreditado. – Me leva para casa. – ela saiu do meu colo e se ajeitou. Ela era uma péssima atriz.
– Stella... – tentei não perder o controle – Você não é virgem. – eu disse me ajeitando também e ela me olhou com os olhos semicerrados.
– E como você sabe disso? – Ela disse, me desafiando, então sorri sarcasticamente.
– Querida... Você é a maior vadia. O jeito que você olha e anda te entregam. Você pode até fingir inocência às vezes, mas não cola. É óbvio que você já fez isso uma vez, uma não – eu ri – mas, várias. Então, se você está me rejeitando, é porque está fazendo o que algumas pessoas chamam de ..."doce"... Desculpe-me o vocabulário, mas para que você entenda absolutamente tudo, preciso usar uma linguagem mais vulgar, sabe? Igual a você.
 Ela me olhou perplexa, com lágrimas nos olhos. Que irritante.
 Você é ridículo...  ela disse e uma lágrima escapuliu – eu devia te bater e...
 Não a deixei completar, já estava de saco cheio.
– Por jogar a verdade na sua cara? Ela dói, não é?
– Essa não é a verdade.
  Eu ri sarcástico, de novo.
– Depois eu que sou ridículo – abri a porta para ela – sai.
 Ela ficou parada me olhando, sem acreditar.
– Eu preciso que você me leve para casa...
– Aham, tá. Agora sai do meu carro. Vai fazer programa ali onde tem luz que rapidinho você consegue carona... E dinheiro.
– Seu filho da puta! – ela disse entre lágrimas depois de sair do carro.
– Só se você fosse minha mãe. – joguei na cara dela de novo. Fechei a porta e fui para o banco do motorista. Dei uma arrancada com o carro e fui à maior velocidade que pude deixando-a para trás. A pista estava molhada e vazia, havia uma curva perigosa bem na frente, mas não reduzi a velocidade. Girei rapidamente o volante e o carro derrapou e capotou várias vezes. Várias. Depois parou de cabeça para baixo. Ele estava muito amassado e eu, muito ferido. Já estava perdendo a consciência, mas de repente tudo ficou branco. Tão branco e brilhante que feria meus olhos. Vinha de todos os lados. O que estava acontecendo? Abri um pouco os olhos estreitando-os para tentar enxergar algo, mas a única coisa que tinha forma era um relógio pendulo enorme, bem antigo e elegante na minha frente. Ele fazia um barulho ensurdecedor marcando doze horas; eu fechei os olhos e apaguei.

Capítulo um.

                                                                 §§§

– Eu não sou de dizer isso, mas... Você é muito, muito... Muito bonito, cara. Conte-me o seu segredo, me diz... Como é que faz pra ter uma beleza tão estonteante como a sua? – eu disse, sem medo de parecer ridículo na frente do espelho afinal, eu merecia esse mérito de beleza incrível e todos reconheciam.
– Ben... Todos nós sabemos disso, tá? Mas já tá na hora, né? Vamos sair daqui, não aguento mais esse cheiro de mijo. – disse o sem noção do Gil, me puxando para fora do banheiro fazendo os outros garotos rir.
– Argh. Deixe-me apreciar a perfeição... – Tentei refutar, já fora do banheiro, mas alguém me interrompeu.
– Ah! Perfeito. O sinal já tocou à vinte e cinco minutos. Você tem noção do quanto você pode prejudicar você e seus colegas? – disse a diretora, fingindo estar decepcionada com os braços cruzados, batendo o pé no chão; eu suspirei. Que incomodo. 
– Diretora... Eu não vou me prejudicar. Não se preocupe, minhas notas estão altas e todas as vezes que eu estou na aula, eu participo... Sou um bom aluno. – eu celebrei – mais um ponto pra mim!
  Ela suspirou, pediu para voltarmos para sala e foi isso que fizemos. Entramos na sala, o professor murmurou algo sobre estarmos atrasados e as garotas suspiraram. Todas. Sorri para a mais bonita e ela gemeu.
  Depois de uma longa e chata aula de Sociologia, sai praticamente correndo para desfilar pelo corredor. É o meu hobbie. Estava andando pelo corredor e meus colegas estavam atrás de mim, como sempre. Estava cumprimentando todos com olhares e acenos de cabeça quando eu a vi... Tão linda... A garota mais bonita da escola. Ela era só um ano mais nova que eu, mas isso não importava. Ela era bonita, inteligente e rica. Aproximei-me charmosamente.   
– Olhem isso! Silêncio! Vejam! – diziam Gil e Carlos entre tapas. Eles queriam prestar atenção em mim e aprender como se faz.
– E aí, gata? – Disse para Stella. Querendo parecer ousado, pus meu braço encostado na parede e joguei meu cabelo para o lado. 
– Oi, gatinho. – disse ela sorrindo, com um tom de brincadeira e com um olhar desafiador. Adoro isso.
– Vamos sair Sábado à noite? – disse com meu sorriso encantador e irresistível.
– hmmm... – ela fingiu dúvida. – Pode ser. – ela disse dando de ombros, mas super feliz por dentro.  O pessoal atrás de mim cochichava sem parar, provavelmente falando como eu era irresistivelmente adorável. Eu sorri para ela e combinamos que na Sábado as seis eu iria pegá-la para nos divertirmos. Virei e todos me veneravam, diziam que eu era demais e que mandei muito bem. Claro... Eu já sabia disso. 
 Sai da escola e uma garota esbarrou em mim. Olhei para ela... Olhos castanhos, loirinha, óculos, tímida... Nerd. Eu sabia quem ela era. Não era rica.
– Ei, garota! Olha por onde anda. Tsc. – eu disse sem dar importância aos livros que ela derrubou no chão.
– Desculpe-me... – Ela se abaixou indiferente, juntando seus livros e deixando os meus onde estavam. Achei estranho, se fosse uma garota normal teria corado, ficado nervosa e pego meus livros do chão primeiro. Então eu me abaixei e sorri falsamente para pegar os meus materiais por ela.
– Eu devia ter desviado de você, até porque além de bonito, rico e inteligente... Eu também tenho um super reflexo.
 Ela riu, mostrando suas covinhas. Era a única coisa que eu tinha inveja nas pessoas que tinha; covinhas. Pensei não precisar falar mais coisas, mas eu ia continuar até vê-la corar ou mostrar algum interesse em mim. Peguei meus livros e a ajudei a levantar com nojo de pegar em suas mãos que estavam tateando o chão agora a pouco. Quando ela olhou para mim, eu sorri e ela retribuiu sem demonstrar absolutamente nada no seu olhar.
– Que lindas covinhas, Helena. – eu disse certo de que ela ia ficar super emocionada por eu saber seu nome e lhe fazer um elogio. E foi o que aconteceu. Ela corou de um jeito nem um pouco atraente.
– Como você... – eu a interrompi, pondo meu dedo de leve em seus lábios.
– Isso não importa – eu sorri e lhe dei as costas, indo embora. 
  Quando cheguei ao meu carro, peguei meu álcool em gel e passei freneticamente em minhas mãos. O que quer que aquela pobre tenha pegado, não queria que passasse pra mim.

                                                                  ♥♥♥
– Aaaaai! O que foi aquilo, hein Lena?! – perguntou Eva super empolgada pensando besteira. Revirei os olhos e respondi sem muita paciência, sem entender porque tanta ansiedade. Ele era só um garoto normal.
– Não foi nada, eu esbarrei nele e ele elogiou minhas covinhas – eu disse e Eva gemeu de emoção.
– Argh. Eu não te entendo Eva, você é tão superficial. – disse Sarah, a mais cabeça de nós. Ela sempre tinha razão.
– Claro que você não me entende! Você só sabe ser a certinha que não se apaixona por causa disso, daquilo, blablabá. 
– Eva, você é realmente superficial. – eu disse.
– Com certeza. Você fica só liga porque ele é atraente. Mas, na verdade ele é arrogante, mimado, egoísta e superficial.
– Ai, como você é chata. – disse Eva fazendo careta e Sarah refutou. Mesmo elas sendo inteligentes e maduras, ficam infantis quando começam a brigar. Sempre por causa de garotos. É incrível a capacidade da Eva de se apaixonar pelas pessoas erradas. Ela é linda e inteligente, muita gente tem inveja dela, mas ela fica se matando por causa do pior garoto da escola. Acho que se ele sumisse ninguém iria sentir falta.

                                                                §§§
    
– Sua maluca! Você por acaso é surda?! Tem noção do que fez? Era uma das minhas camisas prediletas! Já falei milhões de vezes que nas minhas coisas não é para colocar água sanitária! – eu disse possesso para aquela empregadinha ridícula que se achava a dona da casa só porque quando a governanta não estava era ela quem tomava conta dos outros empregados.
– Desculpe-me, eu devo ter derrubado sem querer... – ela tentou se desculpar, mas ignorei e continuei a reclamar.
– Você é burra?! Essa camisa era vermelha! Como você pôde fazer uma coisa dessas?! Porque todo pobre pensa que as coisas só ficam limpas com água sanitária?!
– Eu já falei, foi sem querer... – ela disse suplicante e isso só me deixou mais furioso.
– Então vai ser sem querer que eu vou te demitir. – disse olhando em seus olhos e ela saiu do quarto correndo e chorando. 
  Suspirei tentando me acalmar e me olhei no espelho. Perfeito. A raiva me deixou rosa. Igual a camisa.
  Mais tarde, à noite, eu estava estudando quando minha mãe entrou e se sentou ao meu lado na mesinha.
– Já cuidei da Maria. – disse ela calmamente.
– hm... Quem é Maria? – eu disse e ela ficou espantada.  
– É a empregada que deixou sua camisa rosa.
– Ótimo. – eu disse, esperando que “já cuidei dela” seja o mesmo que “ela já está na rua e você nunca mais vai ver a cara dela”.
– Amanhã terá uma reunião de família e será aqui. Quero que você acorde às sete horas e esteja pronto as sete e quarenta para receber os convidados conosco.
– Tá. – eu disse, sem nenhuma empolgação. Nunca mais havia tido uma festinha de família... Nunca mais mesmo. 
– Pode chamar seus amigos se quiser. – ela disse se levantando, me levantei também e não a respondi. Ela saiu do escritório e eu subi para meu quarto. Peguei um livro qualquer, deitei na cama e comecei a ler. Era um livro chato e meloso, acabando com a história dos vampiros “de verdade” então, acabei pegando no sono.

  Acordei e olhei sonolento para o relógio ao lado, eram 6:59. Não sabia como eu fazia isso, acordei exatamente na hora. Mais um ponto pra mim.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Letters From Underground: Letter one.

   Me sinto péssima. Todas as minhas esperanças foram destruídas e vocês me fazem muita falta. Talvez eu precise me esforçar mais, ou talvez eu deva desistir desse sonho ridículo por não ser boa o suficiente... Entretanto, esse não é o caso. O caso é que eu estou com tanta saudade que é insuportável. Ah, se eu pudesse voltar no tempo... não faria tudo outra vez. Valorizaria suas amizades verdadeiras e as retribuiria com sentimentos verdadeiros, que era só o que vocês queriam. Pena que saudade não é o suficiente para fazer algo do que passou mudar.
   Não queria que vocês me vissem nesse estado, escrevendo palavras bobas sobre meus sentimentos nostálgicos em um papel qualquer e arrastando-os, ou melhor, lavando-os com minhas lágrimas de sangue. pode parecer dramático, mas isso não descreve nem metade do que realmente sinto. Queria conseguir escrever as palavras certas, queria escrever certo - voltando ao problema das esperanças mortas.
   Espero que nenhum de vocês se sintam tão mal e inútil assim.
   Lembro de tanta coisa sobre nós. Cantorias, comilanças, "brigas" e as choradeiras... talvez vocês não saibam, mas eu sempre me escondia para chorar e ninguém sabia... ninguém parecia se importava. Não gosto de chorar na frente dos meu amigos... enfim, se for para algo ser insuportável, que seja com vocês e não sem, pois tornaria isso indolor. Vocês vão estar no meu coração sempre e se eu morrer hoje, não vou me arrepender do que direi agora... Amo vocês, sempre amei e sempre vou amar, mesmo com essa distância petulante nos atrapalhando. É sério, amo vocês.

                                                                            Candy Poison, ou melhor, Ana Clara.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Brinquedo torto.

Era uma vez uma casa que tinha vida.
Ela não se mexia, nem bebia, nem comia, nem respirava, mas observava e sentia. Era uma casa muito antiga e precisava de cuidados especiais, pois todas as famílias que já haviam morado lá brigavam constantemente, causando-lhe tristeza e fazendo-a aparentar ser muito mais velha do que era. Estava quase em ruínas. 
 Um dia, uma jovem adolescente chamada Déborah começou a viver nesta casa. Ela era uma garota meiga, cheia de vida, bondosa e se exibia com seus olhos azuis, cabelos castanhos levemente ondulados e sua pele negra brilhante. Sem intenção, Déborah descobriu que nessa casa tinha uma pequena porta que seria passagem para um lugar, sendo este o “coração de uma ‘pessoa’ que viveu um longo tempo no inverno sem cuidados especiais” – mas ela não sabia disso.  
Nessa porta, pouco iluminada, tinha trepadeiras que brotavam rosas negras ao seu redor, na parede, e uma placa de madeira mofada em cima que dizia “Liberte-me”. A garota, segura e curiosa, entrou e foi engatinhando até chegar a uma parte mais alta – em que conseguiu ficar de pé – e olhou em volta.  Estava em um lugar gigante, parecia uma mansão velha com algumas tralhas, era frio e assustador. Das janelas entrava pouca luz e não se via o fim daquele cômodo. No meio de seu encantamento com a amplitude daquela casa, Déborah ouviu um barulho – como uma cadeira velha balançando. Olhou ao lado e se assustou com uma senhora que se balançava lentamente na cadeira de madeira. Ela estava muito séria; mesmo com pouca iluminação, podia-se ver que ela tinha olhos claros, – que estavam esbugalhados – que muita flacidez atacava seu rosto e braços, seus cabelos eram longos e grisalhos. Ela parecia estar bastante cansada. Olhou para a garota e disse sem emoção alguma:
– Receio que esperei todo esse tempo por você.
– Por que a senhora está aqui? Como entrou? Desde quando? – metralhou perguntas, pois estava preocupada, mas a senhora continuou olhando a garota em silêncio, sem nem piscar os olhos.
– Está com algum problema? Quer que eu a tire daqui? – voltou a perguntar. A velhinha levantou e andou para a direção contrária de Déborah, ignorando-a.
– Siga-me. – Ela ordenou e a garota obedeceu.
Andaram, andaram, andaram e a lugar nenhum chegaram.  Andaram por bastante tempo até entrarem numa sala totalmente escura. Déborah estava cega. Hesitou andar até ser puxada com força, fazendo-a não andar, mas correr. Ficou com medo. Correr no escuro com uma velhinha assustadora que nunca havia visto antes, definitivamente, não era bom. Correu por poucos segundos e até flutuou por um milésimo, depois foi caindo. Caiu em um sofá velho empoeirado que a fez tossir muito. Olhou para frente e a senhora estava parada ao lado de uma mesa, olhando para ela. Como havia ela feito isso? Essa nova sala não era grande como as outras e no fim, tinha uma porta fechada, que entravam luz por baixo e algumas janelas pequenas que também deixavam o mínimo de luz entrar, fazendo a salinha ficar pouco iluminada como as outras. Aquela porta... Era a saída?
– Déborah... – ela chamou, fazendo esforço para sua voz rouca e cansada sair, esperando algo.
– Como você sabe meu nome? – a garota se assustou ainda mais, desejando fugir dali e só voltar cm ajuda. Levantou do sofá e andou lentamente em direção à porta. Mas quanto mais tentava se aproximar da porta, mais ela parecia distante. Rapidamente desistiu.
– O que quer? – perguntou, segurando as lágrimas. A senhora apontou para a caixa escura detalhada que estava trancada em cima da mesa, e nela tinha escrito “Liberte-me”.
– No seu bolso. – disse e Déborah tirou algo do seu bolso. Uma chave altamente elaborada que nunca havia visto antes.
Arrastou a caixa pesada para perto e trêmula, abriu-a. Um vento gelado saiu da caixa e a garota sentiu calafrios; a caixa estava vazia. Quando olhou para a senhora, esta estava no chão, fraca... Morta? A garota inocente só fez o que lhe pediram, com boas intenções. Déborah correu para a porta, chorando, desesperada querendo ajuda. A porta não fugia mais. Ela saiu e se viu do lado de fora da casa, mas na frente da casa e lá mesmo ficou chorando. Alguém pôs a mão em seu ombro e ela gritou com medo e assustada.
– Acalme-se, eu não morri. – disse uma linda mulher e depois a abraçou. Obviamente, a garota não estava entendendo absolutamente nada e nem conseguia perguntar por causa de seu choro inacabável, mas a mulher sabia que teria que explicar.
– Eu sou a casa. Bem... O espírito da casa, seus sentimentos. Na verdade, um deles. – tentou explicar e a garota a olhou sem entender mais ainda.
– Hã? – foi a única coisa que a garota conseguiu proferir com “sucesso” em meio as lágrimas.
– Essa não é uma casa normal, como pôde perceber. Ela tem vida e seus sentimentos são expressos através de mim. Pode não ter percebido, mas o que a casa estava querendo mostrar era o amor... A falta dele.
Déborah havia se acalmado e parecia estar entendendo. Então perguntou:
– Mas... Porque eu? E o que aconteceu com aquela senhora?
– Você é uma adolescente incrível e feliz. Precisava cuidar da casa com o seu amor e libertá-la do inverno da falta do mesmo. E eu sou aquela senhora. Estive com aquela aparência pela falta de cuidado das pessoas comigo.
A garota ficou em silêncio e olhou para a casa, que não estava mais parecendo uma casa abandonada.  Estava bonita e parecia ser até mais nova do que era.
– O que tinha naquela caixa? – era a última pergunta de Déborah.
– Coisas ruins. Lá estavam presas todas as brigas de famílias e de pessoas que se amavam. Você fez tudo isso se dispersar, fazendo a casa não lembrar de todo rancor e mágoa que sentia. Você já sabe, trouxe o amor para cá.
A garota entendeu completamente, mesmo parecendo confuso, tanto o que aconteceu, como o que pode ser aquele sentimento indefinível. Claro que era surreal e estranho o que havia acontecido com ela, porém ela aprendeu que o amor é como o melhor brinquedo da sua infância, quando quebrado, te deixa triste, mas quando funciona, é divertido e nada te deixa mais feliz. Mesmo sendo uma comparação um tanto infantil, não deixa de ter sua verdade.

FIM.

sábado, 7 de maio de 2011

Sociedade estúpida.

  Eu sou Samantha Gospel e ironicamente sou ateia. Vivo em um lugar onde todos acreditam fielmente em Deus... e O temem. Pensam que se fizerem qualquer coisa - por mais insignificante que seja - sem "pensar" Nele, vão morrer instantaneamente e ir para o inferno. É patético - é claro que eu exagerei sobre isso. As pessoas são tão cegas em relação a isso que estamos vivendo em miséria. Bom... eles estão.
  De acordo com eles eu sou a pior pessoa que existe, minha morte está chegando e minha mãe está grávida do filho do demônio, já que meu pai está morto e ninguém acredita que ela foi violentada por quem eles acreditam ser a pessoa "mais próxima de Deus na Terra": o padre hipócrita. Mais um motivo para achar tudo isso uma bobagem. Talvez eu esteja errada, eu deveria não acreditar nas pessoas e não em Deus... tarde demais, a vida me fez crer somente na inteligência, mesmo que existam coisas ainda inexplicáveis.
  Estou acostumada com a reação das pessoas quando estou fora da minha casa. Geralmente me desprezam com olhares e se afastam, pensavam que o "mal" era contagioso. Eu ria deles e eles achavam que eu era louca. Dessa vez, quando fui roubar umas maçãs e esbarrei em um homem e eles, não diferente dos outros, foi um idiota comigo.
- Como ousa esbarrar em mim, pequeno demônio? - ele gritou se afastando e se limpando. Todos olharam horrorizados. "Pequeno demônio"? Foi a gota d'água.
- Pequeno demônio? - me aproximei - como você ousa me chamar assim? Como vocês ousam me chamar de demônio além de eu não ter feito nada, vocês acharem que "todos somos filhos de Deus"??
  Eu estava cansada de toda essa merda.
- Não use o nome Dele em vão! - gritou uma mulher que estava na "plateia".
- Se eu usar, ele vai me punir?? Eu vou para o inferno por isso? O que vai acontecer??
- Sim, ele vai puni-la! - disse o homem e todos concordaram.
- Deus é o ser que perdoa, não? E quem tem medo dele são os demônios, certo? - todos se calaram - Seu idiota! Você está agindo como um demônio!
- Ela não sabe o que fala! - ele gritou aos outros - A vontade de Deus é puni-la!! Vamos puni-la!
  Todos gritaram e começaram a se aproximar.
- Vocês se acham tão fieis à ele e não percebem que estão indo contra ele! Afastem-se de mim!! Vocês se acham tão poderosos a ponto de julgar as pessoas que merecem ser punidas de acordo com suas próprias mentalidades pútridas mas só quem pode fazer isso não seria o seu Deus?? Se ele quer punir os pecados, deixe que Ele mesmo faça isso!
- Ele nos mandou para não sujar suas mãos com os demônios da modernidade que querem extinguir nossa fé.
 Poderia estar ele certo somente no que disse no fim da frase? Eu não era esse demônio.
- Eu não sou esse demônio!!
- Cale-se! Chega dessas suas mentiras, chega!! Ninguém consegue viver harmoniosamente com você sempre atrapalhando, roubando e falando mentiras!! Vamos pôr um fim nisso, antes que Ele nos puna por não eliminar o podre para que possamos somente ter pureza.
- Vocês são o verdadeiro podre. - eu disse e eles começaram a se aproximar mais e pela primeira vez, tive medo deles. Eram totalmente insanos e era impossível descontruir suas ideias equívocas. Eu estava completamente cercada. Senti uma dor horrível no meu estômago. Fui atingida com uma faca enferrujada.Não aguentei muito tempo, logo perdi a consciência. Não acordei de novo... pois é, triste fim.
  Morrer sem mostrar suas ideias, sem fazer com que alguém se lembre do que você disse, morrer sem ao menos ter sentido estar com razão, mesmo quando está. Sociedade teimosa. Sociedade estúpida.

 The End

terça-feira, 26 de abril de 2011

Considerações sobre o amor: em tópicos.

• O amor é uma coisa idiota
• Que te ilude
• Que te inunda
• Que te domina
• Que te abandona
• Que dói 
• Que arde
• Que deixa marcas
• Que te deixa alegre
• Que te deixa triste
•  Que te deixa com raiva...
• Essa coisa idiota
Que nos controla
Que faz você confiar nos outros
Que é bom de sentir
Que o mundo deveria sentir 
• Essa coisa idiota que é tão importante 
• Essa coisa idiota que te deixa na mão: caindo, sofrendo.
• Essa coisa idiota que eu sinto
• Essa coisa idiota que tanto odeio. 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Aqueles olhos.

Adorável, simplesmente adorável.
 Não consigo sequer olhá-lo nos olhos sem corar.
  Aqueles olhos... tão gentis, rudes e atraentes.
  Aqueles olhos que me fazem sorrir. 
  Aqueles olhos que me fazem sentir arrepios.
  Aqueles olhos que me chamam para perto.
 E se meus olhos te desconcentram, imagine os seus sobre mim? 
  Eles me desconcertam,
  Eles me perturbam,
  Eles me ignoram.
 Tento pedi-los para parar, mas eles simplesmente me ignoram. 
  É como se uma ventania viesse à mim, bagunçando-me por dentro.
  É como se eu estivesse sangrando por dentro... de um jeito bom.
 Aqueles olhos... tão quente, frios e dolorosos. 
  Dor da distância,
  Dor da saudade,
  Dor do sentimento de perda.
 É o que eu tenho a dizer sobre aqueles olhos.    

quarta-feira, 23 de março de 2011

Aurora

  ... E então correu, fugindo desesperadamente do seu destino cruel. Adentrou na floresta escura, sem medo do que lá poderia encontrar. Qualquer coisa era melhor do que aquele castelo. Ela não sabia para onde estava indo, só queria continuar viva.
  De repente, naquela noite fria e escura, em meio à floresta, uma flecha envenenada a atingiu em cheio nas costas, fazendi além de doer, arder e em poucos segundos queimar intensamente seu corpo por dentro até não ter mais forças e cair de joelhos, quase inconsciente.
  Equanto queimava, ouviu uma voz vindo de trás que gritava enlouquecidamente seu nome.
- Valquíria!! - chorou a  outra Valquíria.
- Fuja... - disse a pobre mulher, oerdendo a consciência, caída no chão e logo em seguida, uma rajada de flechas flamejantes matou as duas e incendiou aquela parte da floresta. A menor das Valquírias, escondida, estava aos prantos pela suas irmãs, não conseguia se mexer pelo choque e estava cercada por fogo. Morreria lentamente.
  Respirando fumaça e com leves queimaduras, ela não tinha escolha a não ser fazer algo para voltar para o castelo, sofrer pelo resto da vida. Gritou com todas as suas forças e alguém, por milagre, apagou uma parte do fogo, que daria passagem à ela... À Princesa Aurora, que estava pessoalmente lá para matá-la. Agora a única Valquíria viva iria morrer. A bela princesa negra de olhos castanhos claro, nunca mostrava-se fora de seu castelo, a não ser quando estava furiosa.
- Desprezível!! - A Princesa cuspiu na prisioneira e caminhou elegantemente em volota dela.
- Ninguém escapa da fúria da nossa rainha. - falou um de seus soldados brutamontes.
- Sinta-se honrada e abençoada por eu vir até aqui só para vê-la. Sou muito bondosa por não lhe torturar - ela sorriu e um de seus soldados golpeou com sua lança afiada que violentamente penetrou o crânio da Valquíria de apenas doze anos. A Princesa ficou ainda mais furiosa.
- Não era isso!! - disse, quase com lágrima nos olhos. Todos pensaram que ela "chorou" de ódio.

 Assim que a Princesa voltou ao seu trono, ficou fitando através de sua enorme janela, o céu estrelado até que a sua Aurora Boreal ressurgiu depois de um longo tempo brilhando mais do que nunca. A Princesa queria chorar por todas as vidas que ela tirou sem piedade, queria chorar pela sua futura morte, que tinha certeza que seria cruel.


 Estava refletindo sobre sua vida quando um de seus soldados a interrompeu.
- Excelência, o que faremos com os prisioneiros da masmorra?
- Solte-os... - ela sussurrou, triste.
- Perdão?
- Deixe-os lá! - quase gritou, fazendo o soldado sair praticamente correndo e os outros servos, se assustarem.
  A Princesa suspirou tristemente pensando em todas aquelas pessoas inocentes qe estavam sofrendo. Ela sabia que era errado, sempre soube e não queria mais fazer isso;ela deveria sofrerpor tudo que fez, mesmo sem ter escolha. Não aguentava mais isso e estava decidida. A partir daquele momento, do renascimento intenso daqela luz acusadora, a princesa Aurora seria uma verdadeira realeza.
- Nossa Rainha. - chamou mais um brutamontes acompanhado de mais outro. Estavam segurando alguém acorrentado, com roupas rasgadas e quase todo ensanguentado, que tremia e chorava, desesperado. Ela o olhava com profunda tristeza, agonia e repugnância de si mesma. Como ela teria feito aquilo com uma pessoa?
- Esse servo aproveitou-se do noso pequeno imprevisto para tentar fugir.
- Por favor!! - disse o maltrapilho, implorando. - não me mate!

- Não dirija palavras à nossa rainha!! - disse o soldado rasgando o rosto do servo com uma adaga inferrujada.
- Pare agora!!! - Aurora levantou-se, se dirigiu ao servo e ajoelhou-se aà sua frente. Todos ficaram chocados. Ela examinava cuidadosamente o terrível ferimento.
- Levem-no à enfermaria... e todosos outros feridos da masmorra e das celas.
  Ela se levantou e os servos presentes ficaram pasmos com sua bondosa ação.
- Levem os outros para a cozinha... para terem uma decente refeição, com toda comida que eles desejarem, depois  os deixem ir embora para suas casas e famílias... se eu os matei - sua voz falhou e ela chorou.
Finalmente chorou depois de tantos e tantos anos aguentando suas próprias injustiças. Finalmente chorou pela culpa das centenas de mortes que causou. De assassinatos à suicídios. Centenas de pessoas inocentes que simplesmente não coseguiram sobreviver a fraqueza de sua suposta rainha. Fraqueza de deixar tudo isso acontecer, de ser tão fraca e não assumir sua responsabilidade que seria proteger seu povo  e não dominá-los.
  Todos ali presentes, admirando sua gloriosa ação e entendendo que ela sempre quis isso, aplaudiram-na. Ela respirou fundo e proferiu.
- Eu serei uma verdadeira Princesa, amando meu povo. Ninguém mais sofrerá, somente eu por tudo que fiz... claramente as pessoas vão querer vingança. 
- Mas existe o perdão. - disse uma das servas, ainda temendo mas tentando sorrir gentilmente. - Nós a perdoamos.
- Não posso aceitar seus perdões. Preciso sofrer com as consequências. 
- Não, não precisa. Nós... todos nós a perdoamos, se você for realmente a realeza que sempre quis ser e que sempre quisemos ter. - ambas sorriram e lágrimas edxplodiram novamente no rosto da princesa.
- Obrigada! Muitíssimo obrigada! - disse surpresa e sorridente como ninguiém nunca tinha visto.


  Como a estória começou trágica com o melancólico  renascimento da aurora boreal, gostaria de terminá-la dizendo que depois de um querido abraço entre a serva e a rainha e infinitos sentimentos de perdão e amor o reino em que viviam ficou em paz e essas pessoas viveram felizes para sempre.


FIM.   


Notas: Isso NUNCA aconteceria no real. Prestem atenção no que estão fazendo e falando pois as consequência - diferentes das da estória - podem ser péssimas. Imagine se a população não perdoasse a Princesa e corressem atrás da vingança?

sábado, 26 de fevereiro de 2011

FANFIC ONE SHOT- Vampire Knight: O fim.


~~
"..." <- Pensamento da personagem principal da fic
(...) <- observações
*...  <- Barulho das coisas
~~

Estava acordado, mas ainda tentando dormir de bruços quando o Diretor Cross Kaien veio em minha direção quase gritando.
- Ohayooo, Kiryuu-kun! *paaf
 Levei um tapinha nas costas para acordar.
- hmmhm...hmh.. hmhnmmhmm - falei com esperanças de ele entender o recado.
- Hã?? Desse jeito não vou entender, vamos acorde! Está nevando!
 Me levantei sem nenhuma vontade e fui até a janela, tudo o que eu via era neve. "tsc."

Depois de realmente acordar, fui até a sala e a mesa estava pronta para o café-da-manhã. A Yuuki estava lá, sorrindo olhando para a janela enorme ao lado de sua cadeira.
- Ohayo, Zero-kun. - disse Yuuki sorrindo pra mim.
- hm. - disse e sorriu.
- Sabe Zero... - começou a falar, como se quisesse chamar alguém para sair - o que você vai fazer hoje? Bem... não tem aula e o diretor disse que não precisava da nossa ajuda nesse feriado. - disse pondo um pedaço da panqueca na boca. "Era feriado?"
- Bem, eu não sei. - disse indiferente. - Eu acho que não irei fazer nada.
- Sério?! Então, poderia passar o dia comigo?  
Quase engasguei.
- S-sim. - gaguejei e ela sorriu. - o que... vamos fazer? - perguntei sem jeito e ela passou a sorrir maliciosamente.
- É surpresa.
Desconfiado, permaneci comendo. Sinceramente, eu tenho uma espécie de medo das surpresas da Yuuki. Sabe... tragédias acontecem.
 Quando terminamos, Yuuki correu para o quarto e eu fiquei com aquela "cara de pastel" que ela sempre, SEMPRE me deixa.
-Yuuki. Quando vamos? - Ela apareceu, com outra roupa... "Como ela faz isso?" vi que ela estava pronta para o frio. 
- Agora! Já está pronto?
- Sim... então vamos.
   Depois de muito esperar fazendo a caminhada finalmente chegamos. Estávamos indo fazer "compras"... nada que não fosse óbvio. Ficamos horas entrando em lojas, comendo,  e resumindo: estávamos no final da tarde e não tínhamos comprado nada. Então a Yuuki saiu correndo do nada e claro, eu fui atrás dela. Corri muito e cheguei a um parque cheio de neve em que não havia ninguém.
- Zero, aqui! - Me virei e a vi sentada em um banco. Fui até ela e me sentei já com a respiração irregular.
- Eu... eu planejei o dia para poder conversar com você, quero te contar umas coisas... desabafar. Coisa de garotas.
- Prossiga... - disse sem nenhuma vontade de ouvir o que ela tinha a dizer.
-  ...Eu fico hesitando em fazer as coisas por medo... Eu sou muito insegura. Você tem algum medo?
- ... Sim... - comecei a falar sem se importar se achava a Yuuki uma irmãzinha tonta, nesse momento ela era uma amiga. - um dos meus maiores medos é me tornar um Level E... e matar você.
 Ela ficou me olhando com uma expressão de surpresa. Não era para ser assim, ela já deveria saber disso.
- Sabe Zero... - ela começou a falar e ficou olhando a neve cair - ... Às vezes eu fico me perguntando se momentos como esses vão ficar sempre guardados em minha memória. Algumas pessoas me dizem que nada é para sempre, então fico triste porque até as mais profundas lembranças podem ser esquecidas com o tempo.
Fiquei com uma sensação estranha de estar vendo a Yuuki falar tão sério, fiquei preocupado também pois não fazia ideia porque ela estava me dizendo isso. Então acabei ficando sem palavras.
- tem algo a me dizer? - disse tornando a me olhar.
- Err... acho que... não precisa se preocupar com isso. Deve viver o momento ao máximo e se esquecê-lo... bom, se esquecê-lo viva outros ainda melhores.
- Você tem razão.
  Em seguida ela fez uma bola de neve e jogou em mim.
- O que está fazendo?!
- Aproveitando o momento.
Fiquei paralisado... por pouco tempo e prossegui a bricandeira. Ela estava contente como nunca e eu estava feliz de estar com ela nesse momento de alegria. De repente, a Yuuki tropeçou e caiu bem em cima de mim. Estávamos muito perto um do outro e eu não havia reparado em o quanto ela era bonita... fiquei paralisado por um tempo só admirando sua beleza. Nossos rostos estavam tão próximos e eu tinha certeza... iria beijá-la, mas ela deitou a cabeça em meu peito e ficamos abraçados no chão até decidirmos voltar para casa. Demorou.

  Chegando em casa já a noite, vi o inesperado.... Kaname estava lá, sentado em nossa mesa conversando com o diretor, e a Yuuki como sempre foi correndo abraçá-lo. Sua presença me enojava! E ele ainda ficava me encarando, sabendo que isso me deixava com muita raiva. Mais do que eu já tinha.
- tsc - Fiquei até pensando por quê eu estava me sentindo assim... Não em relação ao Kaname, mas em relação à Yuuki. Então, me lembrei de tudo que passamos juntos e me dei conta de que desde sempre, eu estava apaixonado. Fui ao quarto com uma vontade imensa de vomitar esperando que aquele intruso fosse embora. Provavelmente esperei horas. Até que a Yuuki veio ao meu quarto falando misturando muitas coisas mesmo tempo, não entendi nada do que ela disse e logo atrás estava o Kuran. Como ela o deixou entrar aqui? Ele se                                                                                                 aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido: "Você é um fraco." E uma luta começou. Estávamos lutando ferozmente, nos rasgando, havia sangue em toda parte e Yuuki clamava para que parássemos de lutar. Não ouvíamos os gritos dela e continuávamos a lutar. Em meio a luta, vi uma brecha. Sua guarda baixou e eu iria atravessar sua cabeça, mas Yuuki se jogou na minha frente e eu a acertei... jorrou sangue em meu rosto.
 Acordei desse pesadelo horrível assustado, suado e desejando sangue. Saí de casa rapidamente (para não acabar atacando a Yuuki), estava tudo muito escuro e chovia forte, provavelmente era madrugada. Precisava de sangue.      
  Após alguns minutos de sofrimento por não encontrar o desejado, fiquei desesperado. Não estava ciente de que estava me transformando em um Level E. Corri em direção ao nada e esbarrei em uma pessoa, não pensei duas vezes e a mordi. Um gemido ou um leve grito de dor? Não importava, somente seu sangue importava. Passamos minutos assim.
- Zero... por favor, pare...
  Era a Yuuki! Soltei-a rapidamente, ofegando e lutando contra minha vontade de agarrá-la novamente e sugar todo o seu sangue.
- O que... está fazendo aqui?!
- Eu.. eu.. não sei... - Disse Yuuki com a mão no pescoço e com a expressão triste e ao mesmo tempo assustada.
- tsc. Não deveria estar aqui! É perigoso!
- Eu sei.. mas... houve algo que me chamou até aqui - Ela se virou rapidamente e o cheiro do seu sangue veio numa rajada até mim. Sofrendo muito, lutei para não atacá-la então, me virei também.
- Vá embora.
Um silêncio agonizante tomou conta da madrugada fria e chuvosa. Aos poucos, minha sede foi passando. De repente, braços quentes me envolvem e me fazem lembrar dos momentos felizes com a minha amada... Tão perto de mim... Me virei e a abracei com toda minha emoção. Não consegui me conter, chorei.
- Zero...
- Eu não queria te machucar, me desculpe. - disse entre lágrimas.
- Zero... pegue o meu sangue. - Me assutei e a larguei imediatamente.
- O que?! Eu não posso! Eu vou acabar te matando!
- Não me importo de morrer por você.
- Mas eu me importo, não posso fazer isso..
  Ela pôs a mão em minha nuca e me puxou para seu pescoço. Como eu sou fraco! Não consegui resistir ao seu cheiro e ao momento, a mordi novamente e suguei ferozmente seu sangue até me satisfazer. Demorou muito tempo pois eu não conseguia parar!
  Quando parei, olhei-a em meio a escuridão. Ela estava fraca e pálida e então caiu. Segurei-a em meus braços e continuei e me arrependi de ter cedido tão facilmente.
- Yuuki! Yuuki!!
- N-não se preocupe - ela sussurrava de tão fraca que estava, mas mesmo assim ainda sorria - Eu vou ficar bem... eu...- e logo em seguida, perdeu suas forças e faleceu.
- Yuuki..? YUUKI!! - não tive vergonha de me conter, chorei por horas com ela em meus braços. Até que ele apareceu... Kuran.
- Zero... - ele me olhava com nojo e em questão de segundos ele apareceu bem perto de mim, tomou a Yuuki em seus braços e me deu uma espécie de soco. Voei quilômetros de onde estava. Não consegui conter minha raiva. Corri e peguei minha Bloody Rose para atirar no Kaname, acertei seu braço e vi que a Yuuki não estava mais lá. 
- Você matou a Yuuki! - disse como se não estivesse sentindo nada além de surpresa e se aproximou.
- PARA TRÁS! - eu disse mirando a arma em sua cabeça e tremendo (acho que de frio.) .
- Vai dizer que ela ofereceu sangue e você não resistiu...? - ao ouvir isso, apertei os olhos e atirei sem parar. Mas ele já estava em meu ouvido sussurrando.
- Você é um fraco. - abri imediatamente os olhos e me afastei. Lembrei do sonho... a Yuuki morta, as palavras de Kaname, nada fazia sentido! "Nada faz sentido!" Enquanto lutávamos, vinham coisas em minha mente... lembranças. Lembrei de tudo, desde o dia em que a conheci até ontem. Ela partiu sem que eu pudesse dizer que a amava ou o quanto eu queria beijá-la e permanecer o resto da minha vida com ela. Mas a pior parte era que além de eu ser um assassino, eu matei a minha amada que era também minha única esperança de vida nesse mundo.
 Sem pensar duas vezes, engatilhei a arma e apontei para a minha cabeça. Kuran olhou-me com ódio, nojo e ao mesmo tempo pena. E foi o último olhar que recebi, um olhar que desejou vingança. Puxei o gatilho.

FIM.