sábado, 16 de julho de 2011

Capítulo dois.

                                     §§§

A festa começou e não foi diferente do que eu pensei. O pessoal me adorando e amolando. Que saco. Havia algumas pessoas que eu não conhecia, mas iria conhecer.
– Saudações. Você deve ser o Benjamin, certo? – disse um homem grisalho de olhos verdes, devia ser meu tio.
– Sim. Sou eu e você é...? – trocamos apertos de mãos enquanto eu atuei em estar interessado em saber seu nome.
– Sou seu tio, irmão de eu pai. Sou Apolo. – ele sorriu e atrás dele veio uma senhora com mais ou menos sua idade. Mas isso não importa.
– Olá, querido Ben! – disse ela, alegremente.
– Olá, querida...
– Dafne! – ela disse.
   Eu não sabia quem ela era e sua aparência me assustava. Parecia uma cigana. Tive até medo de apertar sua mão, mas a estendi mesmo assim. No instante em que nossas mãos se tocaram ela puxou a sua rapidamente com um olhar assustado. Quem devia estar assustado era eu, com aquela doida sendo minha “tia”.
– Algo errado? – eu disse depois de uns segundos de silêncio, sorrindo pra ela.
– N-nada... – ela gaguejou, olhando o nada com preocupação. – eu... Vou procurar a sua mãe.
 Ela sorriu falsamente e saiu antes que pudéssemos intervir de alguma forma e interrogá-la.
– Ela é sempre assim? – perguntei para meu tio que acabei de conhecer.
– Às vezes... – ele respondeu abrindo um pouco os olhos verdes-água.
 
  Depois de conhecer mais muitos parentes que eu nem fazia ideia de que existiam, chegou a hora do almoço. Até que enfim, já estava enjoado de tanto perfume francês que minhas tias, primas, etc. usavam. 
  Os empregados estavam nos servindo quando algo nos surpreendeu.
– Ahhhhhh!! – gritou Alice, minha prima de nove anos.
– O que houve? – todos se entreolhavam.
– T-tem um bicho no meu prato! – gritou novamente e todos cochicharam.
– Não. Não, filha. Isso é a comida. – disse sua mãe, muito envergonhada, mas calma, tentando amenizar a situação. Não funcionou. Que pirralha desprezível. Peguei meu prato e fui comer no meu quarto, assistindo a minha gigante TV 3D.
 Quando terminei, continuei do jeito que estava e alguém bateu na porta.
– Tsc. Quem é?? – eu gritei impaciente.
– É a Dafne, amor. Posso entrar? – disse aquela mulher, com ternura. Desejei que ela virasse uma árvore.
– Tá aberto. – falei me perguntando o que ela queria.
 Ela entrou e se sentou na minha cama.
– Ben... Eu quero lhe fazer umas perguntas...
– Agora não, outro dia... – fiz careta para as roupas dela.
– Vai ser rápido – ela sorriu; eu revirei os olhos e não respondi.
– Então... Tem algo lhe incomodando?
– Só a sua presença aqui. – eu cuspi as palavras olhando para a televisão.
– Que ótima resposta. – ela riu e isso me irritou. O que ela realmente queria?
– Olha... Eu não estou muito... – tentei expulsá-la educadamente, mas ela me interrompeu.
– O que você pensa sobre o respeito?
– Eu acho que se deve respeitar pessoas mais poderosas que você. Eu sou mais poderoso que você, então me obedeça, ninfa. – me levantei sorrindo da minha piada tola, fui até aporta e a abri. – Saia. Tema o que eu poderei fazer se não respeitar o meu espaço.
  Ela saiu de cabeça erguida, sorridente e parou do lado de fora da porta, me olhando maliciosamente.
– Eu posso até temer... – ela começou, mas eu a interrompi.
– Foi o que pensei – e bati a porta, mas ela continuou a falar.
– Mas o que eu posso fazer é muito mais digno de se temer... – eu bocejei alto e me joguei na cama com a roupa que usava, deixando tudo do jeito que estava e acabei dormindo por causa do cansaço causado pelo estresse.
  Acordei novamente e já era quase hora de me arrumar para encontrar-me com Stella. Estava  quase na hora porque eu ainda não havia planejado o que iríamos fazer. Então, meu sistema me fez acordar um pouco mais cedo para eu não ter problemas mais tarde. Eu sou mesmo perfeito...   
                                         

                                                                  ♥♥♥
  Decidimos jantar fora. Raramente fazíamos isso, mas quando meu pai decidia sempre saímos para lugares caros. Não havia necessidade.
– Qual vai ser o nosso alvo? – eu disse sorridente a meu pai.
– Vamos jantar naquele restaurante chique do centro da cidade. – ele disse fazendo suspense em relação ao nome. Estreitei os olhos.
– Que horas? – perguntei ansiosa.
– Às sete. – respondeu preocupado em quanto tempo levaríamos para nos arrumar. A casa pequena, só tinha um banheiro. Mas não precisava se preocupar com isso, porque além de ser super cedo, com certeza chegaríamos antes da hora marcada.
 Ele se levantou da poltrona e suspirei de alegria. Momentos como aquele com a família, mereciam até comemoração. Estava no meio de um momento de alegria quando meu telefone tocou. Era Eva.
– Oi, Eva. – eu disse sem ter a menor ideia de por que ela me ligaria.
– Você não vai acreditar no que eu descobri! – disse ela aos prantos e eu fiquei preocupada.
– Acalme-se! O que houve?
– O Ben vai sair com a Stella!! – ela chorou e eu realmente não acreditei... Como ela podia se importar tanto com esse imbecil?
– Como você pode ligar tanto pra esse imbecil?!? – eu quase gritei, indignada.
– Eu... Não sei... Só gosto muito dele!
– Eva... – eu tentei – desculpe-me, mas eu não posso ficar ouvindo isso. Se acalme e pense no valor que você está dando a esse... Alô? – ela desligou na minha cara. Tsc. Como ela era teimosa. Liguei para ela.
                  
                   
                                                                   §§§
 Estava tudo certo, eu tinha tudo planejado, eu estava perfeitamente arrumado e bonito – como sempre – e bem atrasado. Saí do carro e fui rapidamente até a porta dela querendo terminar logo com o jantar e ir para cama... Talvez com ela.
 Toquei a campainha, não precisei nem esperar nem três segundos que ela abriu a porta mais alegre que nunca e saiu dando um rápido – supersônico – “tchau” aos pais. Ela estava sorrindo nervosamente.  
– Pensei que você não viria, marcamos as seis. – ela enfatizou a última palavra.
– Desculpe, baby. Eu tive uns problemas, mas nada me impediu de vir, não é? – olhei-a nos olhos e ela suspirou.
 Eu a levei ao carro e abri a porta para ela. Entramos.
– E ainda é cedo. Ainda são seis e meia. Que horas você deve voltar?
– Não tenho hora. – ela me olhou de cima a baixo levantando uma sobrancelha, então sorri.
 O resto do caminho, fomos em silêncio. Chegamos e ela fez um escândalo.
– AIMEUDEUS! Estamos no Pablo's house!
– É... – eu disse envergonhado, a conduzi rapidamente para dentro, sentamos na melhor mesa e pedimos o melhor prato.
 Ela estava olhando maravilhada às coisas da mesa e quando ela olhou pra mim, tentei sorrir. Como ela era matuta!
– Ben... Seu olho está vermelho. – ela disse olhando atentamente para meus olhos. Entrei em pânico.
– Eu tenho um colírio se você quiser... – ela o pegou e estendeu gentilmente. Sem nada dizer, arranquei-o de sua mão e fui desesperado ao banheiro. Coloquei o colírio e aos poucos o olho foi ficando normal. Quando ficou perfeito novamente, saí do banheiro e alguém me atropelou. Porque todo mundo esbarra em mim? Decidir deixar essa passar.
– Des... – ela não conseguiu completar, se perdeu em meus olhos.
– Tudo bem... – eu disse e voltei ao meu lugar, enquanto ela continuou paralisada lá.
  Sentei-me e aquela garota foi correndo a uma mesa. Correr desse jeito em um restaurante como esse? Quando me dei conta, ela estava sentada com a garota das covinhas. Qual era o nome dela mesmo? O que ela estava fazendo lá?? Ela não era pobre? Para interromper meus pensamentos, o garçom chegou com nosso pedido. Depois eu iria descobrir o que estava acontecendo, mas na minha noite nada iria me deixar incomodado. Comemos, conversamos, nos divertimos e saímos. A próxima parada seria super clichê, mas eu não estava ligando. Dirigi o carro para o alto de um morro onde veríamos as luzes da cidade, as estrelas e a lua. Quando chegamos, parei o carro e passamos para os bancos de trás. O teto do carro estava aberto e o céu estava cheio de estrelas que brilhavam intensamente com a lua cheia. Exatamente do jeito que eu queria.
– Então, o que achou do restaurante? – perguntei.
– A comida era muito boa e o ambiente também. Eu sempre quis ir lá. – ela me olhou e sorriu, estávamos lado a lado. Pus meu braço em volta de seus ombros.
– De nada – eu disse e rimos.                      
  Estávamos rindo e olhando o céu quando uma estrela cadente passou.
– Oh! – olhei para ela surpreso e ela estava de olhos fechados.
– Você pediu? – eu perguntei
– Sim – ela sorriu, abriu os olhos e olhou para mim.
– O que?
– Pedi que você me beijasse... – ela estava rindo maliciosamente com o que tinha acabado de dizer e eu fiquei surpreso com o mesmo.
– E você? – ela perguntou.
– Tudo o que eu quero já está aqui. – eu disse e a beijei. Não foi um beijo intenso ou apaixonado, mas eu não ligo. Eu estava empolgado e não consegui me conter, apertei seus seios e ela gemeu alto. Ajudei a tirar a camisa e a sentei de frente para mim em meu colo. Abri meu zíper e abaixei um pouco a calça e a cueca, meu amiguinho também estava empolgado. Quando levantei sua saia e tentei tirar sua calcinha, ela me impediu.
– Não! – ela arfou e sua mão estava detendo a minha. Revirei os olhos com ódio e quase gritei, ofegante.
– O que foi?!
– Eu... Eu... – ela tentou achar uma desculpa. – eu sou virgem.
– Virgem? – eu disse surpreso com a péssima desculpa.
– É. – ela disse pensando que eu tinha acreditado. – Me leva para casa. – ela saiu do meu colo e se ajeitou. Ela era uma péssima atriz.
– Stella... – tentei não perder o controle – Você não é virgem. – eu disse me ajeitando também e ela me olhou com os olhos semicerrados.
– E como você sabe disso? – Ela disse, me desafiando, então sorri sarcasticamente.
– Querida... Você é a maior vadia. O jeito que você olha e anda te entregam. Você pode até fingir inocência às vezes, mas não cola. É óbvio que você já fez isso uma vez, uma não – eu ri – mas, várias. Então, se você está me rejeitando, é porque está fazendo o que algumas pessoas chamam de ..."doce"... Desculpe-me o vocabulário, mas para que você entenda absolutamente tudo, preciso usar uma linguagem mais vulgar, sabe? Igual a você.
 Ela me olhou perplexa, com lágrimas nos olhos. Que irritante.
 Você é ridículo...  ela disse e uma lágrima escapuliu – eu devia te bater e...
 Não a deixei completar, já estava de saco cheio.
– Por jogar a verdade na sua cara? Ela dói, não é?
– Essa não é a verdade.
  Eu ri sarcástico, de novo.
– Depois eu que sou ridículo – abri a porta para ela – sai.
 Ela ficou parada me olhando, sem acreditar.
– Eu preciso que você me leve para casa...
– Aham, tá. Agora sai do meu carro. Vai fazer programa ali onde tem luz que rapidinho você consegue carona... E dinheiro.
– Seu filho da puta! – ela disse entre lágrimas depois de sair do carro.
– Só se você fosse minha mãe. – joguei na cara dela de novo. Fechei a porta e fui para o banco do motorista. Dei uma arrancada com o carro e fui à maior velocidade que pude deixando-a para trás. A pista estava molhada e vazia, havia uma curva perigosa bem na frente, mas não reduzi a velocidade. Girei rapidamente o volante e o carro derrapou e capotou várias vezes. Várias. Depois parou de cabeça para baixo. Ele estava muito amassado e eu, muito ferido. Já estava perdendo a consciência, mas de repente tudo ficou branco. Tão branco e brilhante que feria meus olhos. Vinha de todos os lados. O que estava acontecendo? Abri um pouco os olhos estreitando-os para tentar enxergar algo, mas a única coisa que tinha forma era um relógio pendulo enorme, bem antigo e elegante na minha frente. Ele fazia um barulho ensurdecedor marcando doze horas; eu fechei os olhos e apaguei.

Capítulo um.

                                                                 §§§

– Eu não sou de dizer isso, mas... Você é muito, muito... Muito bonito, cara. Conte-me o seu segredo, me diz... Como é que faz pra ter uma beleza tão estonteante como a sua? – eu disse, sem medo de parecer ridículo na frente do espelho afinal, eu merecia esse mérito de beleza incrível e todos reconheciam.
– Ben... Todos nós sabemos disso, tá? Mas já tá na hora, né? Vamos sair daqui, não aguento mais esse cheiro de mijo. – disse o sem noção do Gil, me puxando para fora do banheiro fazendo os outros garotos rir.
– Argh. Deixe-me apreciar a perfeição... – Tentei refutar, já fora do banheiro, mas alguém me interrompeu.
– Ah! Perfeito. O sinal já tocou à vinte e cinco minutos. Você tem noção do quanto você pode prejudicar você e seus colegas? – disse a diretora, fingindo estar decepcionada com os braços cruzados, batendo o pé no chão; eu suspirei. Que incomodo. 
– Diretora... Eu não vou me prejudicar. Não se preocupe, minhas notas estão altas e todas as vezes que eu estou na aula, eu participo... Sou um bom aluno. – eu celebrei – mais um ponto pra mim!
  Ela suspirou, pediu para voltarmos para sala e foi isso que fizemos. Entramos na sala, o professor murmurou algo sobre estarmos atrasados e as garotas suspiraram. Todas. Sorri para a mais bonita e ela gemeu.
  Depois de uma longa e chata aula de Sociologia, sai praticamente correndo para desfilar pelo corredor. É o meu hobbie. Estava andando pelo corredor e meus colegas estavam atrás de mim, como sempre. Estava cumprimentando todos com olhares e acenos de cabeça quando eu a vi... Tão linda... A garota mais bonita da escola. Ela era só um ano mais nova que eu, mas isso não importava. Ela era bonita, inteligente e rica. Aproximei-me charmosamente.   
– Olhem isso! Silêncio! Vejam! – diziam Gil e Carlos entre tapas. Eles queriam prestar atenção em mim e aprender como se faz.
– E aí, gata? – Disse para Stella. Querendo parecer ousado, pus meu braço encostado na parede e joguei meu cabelo para o lado. 
– Oi, gatinho. – disse ela sorrindo, com um tom de brincadeira e com um olhar desafiador. Adoro isso.
– Vamos sair Sábado à noite? – disse com meu sorriso encantador e irresistível.
– hmmm... – ela fingiu dúvida. – Pode ser. – ela disse dando de ombros, mas super feliz por dentro.  O pessoal atrás de mim cochichava sem parar, provavelmente falando como eu era irresistivelmente adorável. Eu sorri para ela e combinamos que na Sábado as seis eu iria pegá-la para nos divertirmos. Virei e todos me veneravam, diziam que eu era demais e que mandei muito bem. Claro... Eu já sabia disso. 
 Sai da escola e uma garota esbarrou em mim. Olhei para ela... Olhos castanhos, loirinha, óculos, tímida... Nerd. Eu sabia quem ela era. Não era rica.
– Ei, garota! Olha por onde anda. Tsc. – eu disse sem dar importância aos livros que ela derrubou no chão.
– Desculpe-me... – Ela se abaixou indiferente, juntando seus livros e deixando os meus onde estavam. Achei estranho, se fosse uma garota normal teria corado, ficado nervosa e pego meus livros do chão primeiro. Então eu me abaixei e sorri falsamente para pegar os meus materiais por ela.
– Eu devia ter desviado de você, até porque além de bonito, rico e inteligente... Eu também tenho um super reflexo.
 Ela riu, mostrando suas covinhas. Era a única coisa que eu tinha inveja nas pessoas que tinha; covinhas. Pensei não precisar falar mais coisas, mas eu ia continuar até vê-la corar ou mostrar algum interesse em mim. Peguei meus livros e a ajudei a levantar com nojo de pegar em suas mãos que estavam tateando o chão agora a pouco. Quando ela olhou para mim, eu sorri e ela retribuiu sem demonstrar absolutamente nada no seu olhar.
– Que lindas covinhas, Helena. – eu disse certo de que ela ia ficar super emocionada por eu saber seu nome e lhe fazer um elogio. E foi o que aconteceu. Ela corou de um jeito nem um pouco atraente.
– Como você... – eu a interrompi, pondo meu dedo de leve em seus lábios.
– Isso não importa – eu sorri e lhe dei as costas, indo embora. 
  Quando cheguei ao meu carro, peguei meu álcool em gel e passei freneticamente em minhas mãos. O que quer que aquela pobre tenha pegado, não queria que passasse pra mim.

                                                                  ♥♥♥
– Aaaaai! O que foi aquilo, hein Lena?! – perguntou Eva super empolgada pensando besteira. Revirei os olhos e respondi sem muita paciência, sem entender porque tanta ansiedade. Ele era só um garoto normal.
– Não foi nada, eu esbarrei nele e ele elogiou minhas covinhas – eu disse e Eva gemeu de emoção.
– Argh. Eu não te entendo Eva, você é tão superficial. – disse Sarah, a mais cabeça de nós. Ela sempre tinha razão.
– Claro que você não me entende! Você só sabe ser a certinha que não se apaixona por causa disso, daquilo, blablabá. 
– Eva, você é realmente superficial. – eu disse.
– Com certeza. Você fica só liga porque ele é atraente. Mas, na verdade ele é arrogante, mimado, egoísta e superficial.
– Ai, como você é chata. – disse Eva fazendo careta e Sarah refutou. Mesmo elas sendo inteligentes e maduras, ficam infantis quando começam a brigar. Sempre por causa de garotos. É incrível a capacidade da Eva de se apaixonar pelas pessoas erradas. Ela é linda e inteligente, muita gente tem inveja dela, mas ela fica se matando por causa do pior garoto da escola. Acho que se ele sumisse ninguém iria sentir falta.

                                                                §§§
    
– Sua maluca! Você por acaso é surda?! Tem noção do que fez? Era uma das minhas camisas prediletas! Já falei milhões de vezes que nas minhas coisas não é para colocar água sanitária! – eu disse possesso para aquela empregadinha ridícula que se achava a dona da casa só porque quando a governanta não estava era ela quem tomava conta dos outros empregados.
– Desculpe-me, eu devo ter derrubado sem querer... – ela tentou se desculpar, mas ignorei e continuei a reclamar.
– Você é burra?! Essa camisa era vermelha! Como você pôde fazer uma coisa dessas?! Porque todo pobre pensa que as coisas só ficam limpas com água sanitária?!
– Eu já falei, foi sem querer... – ela disse suplicante e isso só me deixou mais furioso.
– Então vai ser sem querer que eu vou te demitir. – disse olhando em seus olhos e ela saiu do quarto correndo e chorando. 
  Suspirei tentando me acalmar e me olhei no espelho. Perfeito. A raiva me deixou rosa. Igual a camisa.
  Mais tarde, à noite, eu estava estudando quando minha mãe entrou e se sentou ao meu lado na mesinha.
– Já cuidei da Maria. – disse ela calmamente.
– hm... Quem é Maria? – eu disse e ela ficou espantada.  
– É a empregada que deixou sua camisa rosa.
– Ótimo. – eu disse, esperando que “já cuidei dela” seja o mesmo que “ela já está na rua e você nunca mais vai ver a cara dela”.
– Amanhã terá uma reunião de família e será aqui. Quero que você acorde às sete horas e esteja pronto as sete e quarenta para receber os convidados conosco.
– Tá. – eu disse, sem nenhuma empolgação. Nunca mais havia tido uma festinha de família... Nunca mais mesmo. 
– Pode chamar seus amigos se quiser. – ela disse se levantando, me levantei também e não a respondi. Ela saiu do escritório e eu subi para meu quarto. Peguei um livro qualquer, deitei na cama e comecei a ler. Era um livro chato e meloso, acabando com a história dos vampiros “de verdade” então, acabei pegando no sono.

  Acordei e olhei sonolento para o relógio ao lado, eram 6:59. Não sabia como eu fazia isso, acordei exatamente na hora. Mais um ponto pra mim.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Letters From Underground: Letter one.

   Me sinto péssima. Todas as minhas esperanças foram destruídas e vocês me fazem muita falta. Talvez eu precise me esforçar mais, ou talvez eu deva desistir desse sonho ridículo por não ser boa o suficiente... Entretanto, esse não é o caso. O caso é que eu estou com tanta saudade que é insuportável. Ah, se eu pudesse voltar no tempo... não faria tudo outra vez. Valorizaria suas amizades verdadeiras e as retribuiria com sentimentos verdadeiros, que era só o que vocês queriam. Pena que saudade não é o suficiente para fazer algo do que passou mudar.
   Não queria que vocês me vissem nesse estado, escrevendo palavras bobas sobre meus sentimentos nostálgicos em um papel qualquer e arrastando-os, ou melhor, lavando-os com minhas lágrimas de sangue. pode parecer dramático, mas isso não descreve nem metade do que realmente sinto. Queria conseguir escrever as palavras certas, queria escrever certo - voltando ao problema das esperanças mortas.
   Espero que nenhum de vocês se sintam tão mal e inútil assim.
   Lembro de tanta coisa sobre nós. Cantorias, comilanças, "brigas" e as choradeiras... talvez vocês não saibam, mas eu sempre me escondia para chorar e ninguém sabia... ninguém parecia se importava. Não gosto de chorar na frente dos meu amigos... enfim, se for para algo ser insuportável, que seja com vocês e não sem, pois tornaria isso indolor. Vocês vão estar no meu coração sempre e se eu morrer hoje, não vou me arrepender do que direi agora... Amo vocês, sempre amei e sempre vou amar, mesmo com essa distância petulante nos atrapalhando. É sério, amo vocês.

                                                                            Candy Poison, ou melhor, Ana Clara.